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Serra da Graciosa - relato da equipe Guaranis
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Confira o relato da atleta Lilian Araújo sobre a última edição da Chauás, na Serra da Graciosa, PR.
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Há uns dois meses decidimos correr a Chauás Serra da Graciosa , no Paraná . Correríamos o Marco , o Silvio, a Taiana e eu . Uma equipe light , composta de amigos e com o único objetivo de completar a prova . Em meados de maio , fiquei sabendo que a Taiana, por motivos particulares , não poderia correr . Sinal de que , como sempre , muitos obstáculos estariam por vim. No mesmo mês , ao final do Brasil Wild, convidamos o Robinson ( equipe Uirapurus ) para correr com a gente . Ele aceitou e começamos os preparativos para o grande desafio . Desafio porque , quem está envolvido com corridas de aventura sabe, que correr uma Chauás não é nada fácil , completá-la então ... Para nós ainda mais , porque já participamos de outras duas e, por motivos diversos , não conseguimos ir até o fim . Para o Robinson a situação era a mesma .
Lançado o desafio , seguimos, à noite , rumo à Morretes (PR), estando à bordo Marco , Robinson, Anderson ( nosso apoio de plantão , mesmo quando a prova é sem apoio ) e eu . No caminho , logo depois de encontrarmos com o pessoal da Selva e da Goiabada Power, um pneu do carro estourou. Paramos, trocamos e rezamos. Cheguei a comentar que ao chegarmos à cidade procuraríamos uma igreja ou uma benzedeira . Vou explicar : primeiro o Silvio precisou viajar para a Bahia, à trabalho , na semana da prova , sem data para voltar . Na mesma semana , o carro simplesmente deu pane , do nada . E para piorar , na sexta-feira , baixou uma gripe em mim , que eu só queria mesmo era ficar na cama .
Complicações à parte , seguimos viagem e começamos descer a Estrada da Gradiosa, uma via que variava entre asfalto e paralelepípedos antiguíssimos e muito lisos , com curvas impressionantes . A sombra da Serra da Graciosa nos adiantava o quão lindo era aquele lugar : uma enorme parede de montanhas , com formatos magníficos e assustadores ao mesmo tempo . Li que o Alto da Graciosa chega a 1.472 m de altitude , sendo a serra considerada uma das mais belas do mundo .
Chegamos, nos hospedamos, pedimos uma pizza e fomos dormir sem conseguirmos nos comunicar com o Silvio. No dia seguinte , checamos os equipamentos e aproveitamos para reencontrar os amigos do Chauás e de provas também .
Voltamos à pousada , para plotar o mapa e fazer os lanches . Graças à Deus , lá pelas 11hs o Silvio chegou com a Márcia ( esposa ), que estava passando mal . Além de estar grávida, ela tem problemas de labirintite e aquela descida da serra não foi nada fácil .
Dada a largada, partimos de bicicleta rumo ao PC1, onde seguiríamos de treking. Chegamos à transição e saímos correndo. Como o Silvio parecia estar um pouco ansioso e ainda entrando no ritmo de prova , o Marco ficou um pouco atrás para ajudá-lo. O Robinson continuou correndo e eu tentando acompanhá-lo - Nossa , como ele corre -. Ainda bem que ele parava para me esperar e me acompanhar .
Passamos muita gente no treking, até entrarmos no canyoning. O rio estava muito forte . Descê-lo de duck teria sido ótimo , mas só de colete não parecia ser uma boa opção . Fizemos a maior parte do trecho por trilhas paralelas , mas em determinado momento tínhamos que ir pela água mesmo . Algumas pessoas tentaram atravessar o rio e acabaram dentro das corredeiras . Não sei se estavam gostando, mas para mim parecia muito perigoso . Voltamos um pouco para garantimos a segurança , afinal queríamos completar a prova independente da colocação . Voltamos e perdemos um tempo para atravessar o rio . Num enorme e importante trabalho de equipe nos juntamos aos Goiabadas e a mais uma dupla . Numa corrente humana , atravessamos o rio e continuamos até o PC3, onde teríamos que atravessar novamente . De novo , com a ajuda de todos , atravessamos, assinamos o PC e voltamos para estrada .
De volta ao treking, deixamos a galera para trás . Alternávamos entre correr , trotar e andar até a outra transição , onde seguimos por sete quilômetros de remo . Fizemos esse trecho muito rápido , em meia hora mais ou menos .
Do remo para o treking, a noite começou a cair . O Silvio parou para pedir água numa casa , quando aproveitamos para comer e voltar a correr até o PC6, onde chegaríamos em 17º lugar . Demoramos uns minutinhos para achar a continuação pós-PC, até encontrarmos a trilha lameada, que nos levaria à subida da serra .
Os meninos da Largato Negro me ajudaram algumas vezes em alguns barrancos e aproveitamos para papear enquanto o Marco navegava. No meio do caminho , muitas equipes se encontraram. Acho que umas dez pelo menos , entre quartetos e duplas . Após analisar o mapa , o Marco , achou um caminho que batia com as coordenadas . Resolvemos seguir por ele e muitas equipes seguiram conosco . Começamos a descer , até encontramos com a equipe dos uruguaios, que nos disse que estava voltando do PC6. Ficamos preocupados, pois , apesar das coordenadas corretas, a impressão era de que estávamos realmente voltando, como se estivéssemos numa paralela da trilha que subimos. O Marco comentou que o azimute estava correto e continuamos por aquele caminho . Muitas equipes voltaram a subir com os uruguaios e nós já estávamos brincando que , se voltássemos ao PC6, íamos dizer que só tínhamos retornado para falar um OI .
Caminhamos mais um pouco , sempre pela lama , até que o Robinson viu o light stick numa árvore . Corremos para ver a placa High Five. Comemoramos como se tivéssemos ganhado a corrida , nos abraçando e pulando de tanta alegria .
Aliviados por achar o PC virtual , aproveitamos para comer antes de chegar às bicicletas novamente . Na transição do PC8 assinamos em 7º lugar , o que deu um ânimo a mais .
Começamos a pedalar até o PC9, mas o Silvio parecia que estava muito cansado e não conseguia pedalar muito . No PC, onde voltaríamos a remar , encontramos nossa caixa de abastecimento. Enquanto o Silvio e o Marco enchiam os ducks, eu reabastecia nossas mochilas .
Eram pouco mais de 8hrs da noite quando entramos na água , logo após escolhermos o sentido anti-horário para remar . As equipes deviam escolher qual o lado começariam a remar , pois faríamos uma espécie de círculo até voltarmos às caixas . Remamos e, já com o Robinson na navegação , acertamos o caminho até o PC10. Fazia muito frio . Um minuto que paramos para assinar o PC eu quase congelei, apesar de estar de anorak. Lembrei da gripe e disse que se continuássemos parados eu poderia piorar . Rapidamente voltamos a remar sob a noite estrelada e a Lua Crescente que iluminavam o percurso. Cada parada para olhar o mapa era uma tremedeira a mais . Nesse trecho tivemos um tempinho para um social com a Paranaventura. Muito simpáticos .
Voltamos à caixa , já como PC11. Trocamos de roupa e comemos um delicioso macarrão quentinho. Detalhe : deixamos garrafas térmicas na caixa para preparar nossa alimentação . Claro que uma equipe de ponta nunca teria tempo para isso . Mas como nós só queríamos nos divertir , tínhamos esse direito e mordomia .
Antes de sairmos, perguntamos, como de costume , pela Selva que , até então , liderava a prova o tempo todo . Os Goiabadas estavam enchendo os ducks naquele momento , um pouco desmotivados por uma perdida no treking, mas fisicamente bem . Recomendamos que se agasalhassem, pois o frio estava muito forte na água .
Pegamos as bicicletas e poucos quilômetros depois o pneu da bike do Silvio furou. Uma equipe nos passou. Trocamos a câmera e pedalamos até Morretes novamente . Lá , a Paz na Mata , já de volta para a chegada , passou por nós dizendo que eram os primeiros . ( mais tarde saberíamos que estavam em segundo ). Logo em seguida , a Selva . Gritei para correrem que talvez pudessem alcançar a outra equipe .
Da cidade seguimos para o PC12, mas no caminho o pneu furou novamente . Consertamos, pedalamos mais um pouco e... de novo o pneu . Desta vez tinha rasgado. Completamente esgotado, o Silvio foi empurrando até o PC, que ficava num sítio . Para nossa felicidade , a moradora utilizava pneus de carro como vasos . Nosso Magiver Robinson cortou um pedaço do “ vaso ” e vez um manchão no pneu do Silvio. Já tínhamos combinado que , caso não funcionasse, faríamos uma espécie de bike and run nos 40 km restantes da prova . Graças a Deus deu pra continuar , mesmo a zero por hora . Tínhamos que pedalar sem forçar , se não o pneu poderia furar novamente .
Seguimos nesse ritmo , sem que nenhuma equipe nos passasse. Nossa ! Nem dava para acreditar , pois estávamos num ritmo ridículo e nenhuma alma viva nos passou. Para atingirmos o segundo PC virtual , tivemos que subir , quase que escalar , por 2,5 km . Era uma coisa impressionante aquela subida . Mais parecia uma parede . Para se ter uma idéia , alguns trechos eram concretados. Impressionante mesmo .
Empurramos as bikes e nossos pobres corpinhos morro acima até encontramos o PCV13. Mais uma vitória . Desta vez , não tanto pela navegação , mas pela superação física . O Silvio já estava verde à essa altura .
Para nossa satisfação , o caminho até o último PC era uma descida em asfalto . Ótima para refrescar o calor da “ escalada ”. Ventinho na cara , descanso merecido e... uma leve soneca em cima da bike... Quase capotei na rodovia . Já estava sonhando, quando meu anjo-da-guarda deu um berro e disse: ACORDA , VOCÊ ESTÁ EM CIMA DA BICICLETA E EM ALTA VELOCIDADE ! Nossa , acordei assustada, já freando a bike. Mais um segundo tinha dado de cara na valeta da rodovia . O Marco , que estava atrás , percebeu a freada e perguntou o que tinha acontecido. Tomei aquela bronca e continuamos descendo até o PC14.
Assinamos e continuamos a descida até o trevo de Morretes. Faltavam mais ou menos 15 km para a chegada . Adivinhem!!!??!!! O pneu de novo ... O Silvio, coitado , que é super forte na bike, não agüentava mais aquele ritmo . Paramos, ele encheu o pneu e continuamos.
Claro que as emoções não acabariam com a chegada . Faltando menos de dois quilômetros para a chegada , com o Robinson e o Marco revezando no reboque do Silvio, eu avistei uma equipe . Gritei para os meninos para forçarmos um pouco , porque seria desaforo no fim da prova e depois de horas pedalando a um ritmo super baixo , sermos ultrapassados no final . O Marco e o Robinson se uniram no reboque e eu fui na frente tentar assinar o PC. Claro que não poderia , já que a equipe tinha que chegar completa . Pedalei, pedalei e pedalei como uma louca . Cheguei a ver a equipe se aproximando dos meninos , mas continuei pedalando até a chegada . Em vão !!! Quando cheguei no pórtico , deu tempo de contar a história e nada deles. Para meu desespero , a outra equipe (a High Five, com nossos amigos Fred e Rogério) chegou. Mas estavam incompletos . O quarto elemento havia sofrido uma queda e parado a prova . Apesar de terem honrado a equipe , completando todo o percurso, estavam desclassificados. E nós , mantivemos nossa 11ª posição no ranking.
Obrigada Meu Deus por completarmos nosso desafio . Obrigada Anderson e Márcia pelo constante apoio . Obrigada galera Chauás, que sempre nos apóia, mesmo quando não completamos. Obrigada amigos de aventura por sempre comemorarem com a gente , independente da colocação . |
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