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Serra da Graciosa - relato da equipe Selva NSK Kailash
Veja o relato da atleta Carol Hess sobre essa emocionante etapa da Chauás!

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Lá vou eu, escrever mais um relato, descrever mais uma grande aventura.
Este episódio se passou na cidade de Morretes, no Paraná, no pé da linda Serra da Graciosa.
Nas semanas que antecediam a prova, um dilema. Ir ou não ir para a dura e desafiadora Expedição Chauás.... O Caco, navegador da equipe Selva, esteve presente em todas as provas da história da Selva, mas avisou que nessa não poderia ir. Não sabíamos até que ponto valeria a pena ir sem o nosso navegador, mas como achávamos que já era mais do que hora dos outros integrantes da equipe navegarem também, decidimos encarar este desafio.
Uma semana antes da prova ainda estávamos sem o 4o integrante. Resolvemos convidar o grande amigo e aluno Selva Aventura – Leléo (Leonardo Ferraz). Ele tinha acabado de participar do Ironman e nós do Brasil Wild (230km), então achamos que o nível da equipe estaria bem homogêneo (Todos talvez um pouco cansadinhos...)
Fomos 6a feira para o Paraná, fizemos uma viagem ótima, num clima muito gostoso e muito alegre. Paramos num posto Graal para jantar, lá encontramos os amigos da Goiabada Power e o pessoal da Guaranis. Demos muita risada e também ganhamos numa maquininha do posto uma bolinha de borracha (daquelas que pulam sem parar), que tinha um golfinho dentro. Decidimos que essa bolinha seria a bolinha da sorte!
Acordamos na manhã da prova, tomamos café rapidamente e fomos para a cidade para fazer tudo o que a organização pedia. Entregamos fichas médicas, termos de responsabilidade, pegamos o mapa da prova, entregamos alimentos num lar para idosos, deixamos nossa caixa de reabastecimento no caminhão, tiramos foto da equipe e voltamos para o hotel.
O Marcio foi o responsável pela navegação, o co-piloto era o Alê, que acompanhou toda a plotagem e o Léo e eu ajudávamos também na estratégia, nos palpites, procurando referências, etc.
A prova começou de bike, num trecho de mais ou menos uns 10km, em terreno plano. Saímos bem forte, demos uma pequena errada (junto com outras equipes – ansiedade de inicio talvez), mas logo corrigimos e chegamos ao PC 1 em 1o lugar. Largamos as bikes e saímos para um trekking de 6km em estrada de terra, que começou plana, mas depois começou a subir um pouco, deixando nossa corrida um pouco mais cansativa. Corremos bem forte nesse trecho e chegamos no PC 2 ainda em 1o lugar.
O próximo desafio (e que desafio, hein Lucas?!) era um Canioning de 2km. Perguntaram antes da largada se molharíamos a mochila neste trecho e o Lucas deu risada. Depois eu fui entender porque... Aquilo era mais parecido com um rafting sem bote, do que qualquer outra coisa! Descíamos as corredeiras geladas (e fortíssimas por sinal) e rolávamos rio abaixo, batendo em todas as pedras que havia, até encontrarmos um trecho mais tranqüilo, onde conseguíamos subir em pedras e andar por cima delas por um pequeno período de tempo.
O Léo parecia um caiçara (daqueles mais doidos). Ele se jogava em todas as corredeiras e depois mandava a gente ir! Teve que me salvar uma hora, me puxando de dentro da água, num pedaço onde a força da água não estava me deixando sair sozinha. Ajudou o Alê a desentalar o quadril numa corredeira onde ele ficou preso, mas fora isso foi super tranqüilo e bonito!
Depois de muitos tombos, escorregões e deslizadas pelas quedas dágua, chegamos ao final do trecho felizes e encharcados. Mais tarde ficamos sabendo que muitas equipes fizeram este trecho quase sem se molhar, pela lateral do rio, mas para a gente já era tarde...
Voltamos correndo pela mesma estrada da ida, até o local onde tínhamos deixado as bikes. Fomos para o 1o trecho de duck em 1o lugar ainda, mas seguidos de perto por algumas equipes. Remamos uns 6km, deixamos os ducks e saímos para mais um trekking.
Essa foi a parte de navegação mais difícil e foi onde o Marcio nos surpreendeu! Corremos por uma estrada de terra, que mais para frente virou uma trilha fechada e depois um vara-mato! Anoiteceu nesta parte da prova. Perdíamos a trilha em alguns momentos, mas o Ale, conferindo o azimute a todo o momento dizia que estávamos certos e que devíamos continuar. Encontramos bastante o pessoal da equipe Trópicos nesse trekking, mas depois, cada um escolhia seu caminho. Conseguimos sair do mato, encontramos a estrada novamente, corremos mais um pouco e chegamos ao local onde pegaríamos as bikes. Para minha surpresa, estávamos em 1o lugar de novo (pensei que tínhamos sido ultrapassados).
O trecho de bike era de uns 11km planos, então fomos rapidamente para o PC das caixas de reabastecimento, onde remaríamos de novo. Passamos rapidamente pela caixa, mas mal nos alimentamos. A organização falou que teríamos que encher os ducks e escolher se faríamos uma volta remando no sentido horário ou anti-horário. Escolhemos este último e parece ter sido uma boa escolha. Neste sentido remamos 7km a favor da correnteza e 5km contra. Logo no inicio tínhamos que achar uma entradinha de um rio a esquerda, continuar remando até achar um PC e continuar mais um pouco até voltar para onde começamos. Mais uma vez a navegação foi perfeita!!!
Pegamos um pouco de água na caixa, paramos para vestir um casaco que já estava ficando bem frio e continuamos a nossa pedalada. Voltamos pedalando 6km da beira do rio até a cidade de Morretes e lá perdemos um pouco de tempo navegando e decidindo que caminho iríamos fazer. Quando tudo estava certo o Ale disse: “Meu pneu furou”. Paramos para trocar o pneu e nesse momento a equipe Trópicos nos passou.
Beleza, continuamos a pedalar e chegamos no próximo PC. Lá soubemos que fizemos uma má escolha. Cegamos no PC pelo outro lado, por um caminho mais longo... pelo mesmo que teríamos que voltar depois.
Agora já era quase final de prova! Pedalamos mais alguns km no plano, passamos por um rio onde os meninos pararam para beber água e viramos a esquerda onde começava uma subida ENORME!!! Nossa Senhora, nunca vi uma coisa daquelas! Era muito inclinada e muito longa!! Empurramos nossas bikes ladeira acima e nessa hora o corpo começou a sentir a correria do dia todo, da falta de alimentação, etc. Nossa velocidade caiu um pouquinho e acabamos sendo passados pela equipe Paz na Mata, dos amigos de Santos.
Na verdade, chegamos no topo do morro praticamente juntos e todos cansados! Haveria uma boa disputa pela 2a colocação naquele momento.
Maravilha, agora faltavam 21km (ainda!), mas o começo era descida e de asfalto!!! Estávamos descendo bem rápido (e quase congelando) quando uma arvore enorme apareceu no acostamento da estrada, na frente do Marcio, fazendo ele brecar com tudo e, conseqüentemente, fazendo com que o Ale também brecasse com tudo, batesse no Marcio e os dois dessem um salto mortal na estrada. O Ale ficou estirado no meio da estrada, gemendo levemente. Ele bateu o mesmo cotovelo e o mesmo joelho que ele sempre bate quando cai. Lógico que já abriu e começou a sangrar.
Como faltava pouco e os machucados iriam doer igual se ele ficasse lá deitado ou se ele subisse na bicicleta, dei uma apressada nele para que a gente pudesse continuar logo. O trecho final foi tranqüilo, mas bem longo. Quando estamos cansados, parece não ter fim. Ainda víamos as luzinhas das bikes da equipe da frente, mas não conseguimos alcança-los. Chegamos, às 2:30am no hotel Hakuna Matata, onde era a tão esperada chegada da prova!
Tiramos forças de onde nem sabíamos que existia e pagamos as nossas 10 flexões. Tenho que confessar aqui que o Marcio quase me matou quando sugeri que fizéssemos mais este exercício. O Ale foi liberado desta por causa do cotovelo machucado e o Léo também, por não estar AINDA tão acostumado com o nosso jeito Selva de ser.
Uma canja deliciosa e quentinha nos esperava lá.
E este foi o final feliz de mais uma aventura. Um maravilhoso 3o lugar, com gostinho de vitória!! Saímos de lá nos sentindo mais do que vitoriosos por termos vencido todas as dificuldades que encontramos pela frente, de uma maneira muito especial. A equipe estava muito alegre, muito unida e isso deu um gostinho especial!
Ahhh, quase esqueci de dizer! Nossa bolinha da sorte (a que tinha um golfinho dentro), pensamos ter perdido no rafting humano, mas depois, ao chegar no hotel, o Léo a encontrou em seu bolso. Descobrimos que ela nos acompanhou a prova inteira!!!


Mais uma vez gostaríamos de agradecer aos nossos importantíssimos patrocinadores e apoios:
NSK Rolamentos, Kailash, Serfas, Integralmédica, Empório Aventura e aos nossos alunos e amigos que nos acompanham, vibram e sofrem com cada prova!

Parabéns a todos os alunos que participaram da prova!
Vocês nos deixam orgulhosos, viu?!